Sobre a artista Angélica Pedroso, por Antonio Carlos Abdalla
“Num primeiro momento de contato com a obra de Angélica Pedroso algo nos perturba e impressiona. As dimensões de seus trabalhos são o primeiro impacto.
Em seu ateliê, próximo da capital paulista, as paredes são cobertas por figuras gigantescas – lembrando um pouco igrejas e castelos medievais com as
paredes forradas de tapeçarias para aquecer e embelezar. Elas nos observam como espectadores atentos. Ali reside uma espécie de “Olimpo dos orixás”,
propiciadores e protetores, e um exército de corsários, ameaçadores e sedutores. É reconfortante como todos esses seres imensos nos acolhem com proteção
e carinho!
A segunda coisa a nos causar impacto é o colorido de tudo aquilo. Angélica – contrariamente à verdadeira febre de brancos e cores neutras que hoje em dia
é uma verdadeira regra – não tem o pudor da cor. São cores puras, intensas e vibrantes, um pouco como a própria personalidade da artista. Remetem-nos aos
fauvistas, o que hoje em dia é tão raro de se ver.
O conjunto criado é encantador e faz de Angélica uma artista de exceção, que segue um caminho muito pessoal. É uma grata surpresa conviver com a artista
e com esse mundo de encantamento criado por seus gigantes tão amorosos.
Em seus mais de vinte anos de carreira, ela já expôs em países como França, Itália, Portugal e Argentina. Ela também foi tema de documentário realizado
pelo seu irmão Paulo Pedroso, exibido em Cannes, no Short Film Corner”