EXPOSIÇÃO DE RUBENS GERSHMAN INAUGURA CURADORIA DE ANTÔNIO PETICOV NA GALERIA IQ
A partir de 03 de abril, a Galeria IQ, que fica dentro do Chakras Espaço Gastronômico e Cultural, recebe gravuras, objetos e pinturas do artista plástico Rubens Gershman. A mostra é uma espécie de pout-pourri da obra de Gershman com exemplares de suas diversas fases. “A exposição mostra quem ele é”, diz o curador Antônio Peticov. Mas um tema se sobressai: o beijo, cena que sempre encantou o artista. Sua Excelente “má pintura” é o retrato do cotidiano precário de um povo que, mais que consumidor, é consumido pela mídia e pela sociedade. Desde a sua famosa “Lindonéia”, ícone dos tropicalistas, até sua mais conhecida série dos beijos, não só na pintura como também nas esculturas e objetos, Rubens nos transporta de maneira nua e crua a um mundo visual povoado pelas imagens desprovidas da finesse das “pinturas de bom gosto” consumidas nas galerias, porém riquíssimas de um contexto realmente popular, similar às pinturas encontradas nos pára-choques de caminhão ou nas pinturas anônimas de gafieiras e bares de beira de estrada. Essa sua aparente simplicidade escamoteia um trabalho maduro, cujo simbolismo é cheio de referenciais históricos, e tremendamente revelador em seu conteúdo social.
Nascido no Rio de Janeiro, em 1957, Gershman consagrou-se como um dos representantes da vanguarda artística carioca quando integrou, no Museu de Arte Moderna do Rio, a mostra Opinião 65, que pretendia criticar a ditadura militar brasileira. Co-fundador e diretor da revista de vanguarda Malas artes (1975-76), Gershman dirigiu entre 1975 e 1978 a Escola de Artes Visuais - INEART do Parque Lage (RJ) conseguindo transformá-la de reduto do academicismo num laboratório de criatividade.
Frederico de Morais, um dos críticos mais atentos a sua obra, em texto de introdução a uma mostra do artista em São Paulo, em 1986, definiu assim as diferentes suas diferentes fases*. “Digamos, para simplificar, que de início seu olhar estava voltado para o que acontecia do lado de fora, na urbs, nos meios de comunicação massiva. Anos 60, fase negra, imagens fortes, marcadamente sociais. Nos anos 70, mais reflexivos, Gershman interiorizou estas imagens, ou melhor, buscou-as no seu circuito mais próximo e íntimo, como que trocou o jornal pelo álbum de família.”
O artista expõe, com regularidade, em capitais do Brasil e também em locais como Nova York, México, Paris e Amsterdã.